saneamento basico

ONS: uso irracional da água precisa ser combatido

O Brasil é um dos países com maior reserva hídrica do mundo. Cerca de 13,7% do total da água doce do planeta está em território brasileiro. Devido a esta relativa abundância, os brasileiros acabam se descuidando e usando a água de forma abusiva.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (OMS), cada pessoa necessita de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene. No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia. Além disso, cerca de 37% do volume de água tratada ainda é desperdiçado, segundo o governo federal.

Com o crescimento desenfreado da população, esta forma de uso irracional da água precisa ser combatida para que as futuras gerações não sofram pela escassez do insumo. A quantidade de água no mundo é praticamente a mesma há milhares de anos, mas o número de pessoas que vivem na Terra aumenta a cada dia.

“Hoje é utilizada uma quantidade de água maior do que os rios podem repor. Há um risco real de as futuras gerações não conseguirem usufruir da água como fazemos hoje, se a utilização da água seguir dessa maneira”, diz Luiz Carlos, coordenador de recursos hídricos da Deso.

De acordo com ele, os brasileiros acreditaram, por muito tempo, que desfrutavam de água potável infinita e não foram ensinados sobre a necessidade de poupar e preservar o recurso natural. “Nunca nos preocupamos com isso, só que a realidade atual é antagônica. Temos visto que a água própria para uso está sendo reduzida drasticamente”, adverte.

No contexto estadual a situação é igualmente preocupante, continua Luiz Carlos. Segundo o geógrafo, Sergipe é um estado que vive em escassez hídrica, possuindo poucos rios com baixa vazão. Além disso, a maioria deles não é utilizada para abastecimento público por não terem águas com a qualidade necessária.

“O nosso quadro é perigoso e tem piorado devido ao crescimento da atividade industrial, a taxa de natalidade e a chegada de mais pessoas em nosso estado. Há uma necessidade de aumentar o volume de água para suprir esta demanda, ao mesmo tempo em que também tem aumentado a poluição da água disponível. A equação não bate direito. E é preciso educar as pessoas para esse momento e inserir a água na agenda política”, aponta Luiz Carlos

Educação ambiental

Ení Cardoso, química industrial da Deso, diz que as pessoas são ignorantes com relação a este tema, acreditarem equivocadamente na perenidade da água, sem a noção de como ela é rara e preciosa no universo. “É um quase que um milagre a existência da água na Terra. A estabilidade da água na natureza depende de condições químicas muito específicas, como o nível de saturação, temperatura, pressão. Sem essa conjuntura a vida é impossível e qualquer desarranjo nesta estrutura pode tornar a água indisponível para nós”, explica.

A química lembra ainda que além do desperdício, a irresponsabilidade com a água é refletida também na poluição, desmatamento, entre outras ações. Eni aponta para o risco. “ Se não preservamos os nossos mananciais e permitimos o desmatamento ao seu redor, aumentamos a taxa de evaporação da mesma e a perdemos para a atmosfera na forma gasosa.Se não cuidamos das tubulações nas redes de distribuição a perdemos para camadas internas do solo. Se permitimos que a água seja contaminada com resíduos, a perdemos para o uso humano ou então temos que gastar quantias homéricas para purificá-la”, alerta.

Pensando em auxiliar a população no uso consciente da água, a Companhia de Saneamento de Sergipe separou algumas dicas simples que fazem toda a diferença quando o assunto é economia de água.

Fonte: Deso
Foto: Divulgaçao

Últimas Notícias:
El Niño Armadores temem demora nas dragagens e nova crise na Amazônia

El Niño: Armadores temem demora nas dragagens e nova crise na Amazônia

Cerca de R$ 300 milhões teriam sido gastos pelo governo federal em dragagens emergenciais nas hidrovias da Amazônia nos últimos três anos. O problema, segundo armadores e operadores logísticos da região. É que boa parte dessas intervenções chegou tarde demais, quando a seca já havia produzido seus efeitos mais severos e os rios começavam a recuperar seus níveis. Agora, em ano de super El Niño, o setor teme a repetição desse roteiro.

Leia mais »
O Mar Não é Estação de Tratamento O Futuro das Nossas Águas no Conama

O Mar Não é Estação de Tratamento: O Futuro das Nossas Águas no Conama

O Brasil está diante de uma decisão ambiental de enorme relevância, embora ainda pouco percebida pela sociedade: a revisão da Resolução Conama nº 430/2011, norma que estabelece as condições e padrões para o lançamento de efluentes em corpos hídricos. O que pode parecer um debate técnico restrito a especialistas, na verdade, impacta diretamente a qualidade de nossos rios, estuários, baías, manguezais, zonas costeiras e oceanos. Em outras palavras, afeta a saúde ecológica do país e, por consequência, a da população.

Leia mais »
Investimentos em saneamento na Baixada Santista crescem cinco vezes e alcançam R$ 980 por pessoa ao ano

Investimentos em saneamento na Baixada Santista crescem cinco vezes e alcançam R$ 980 por pessoa ao ano

Os investimentos em saneamento básico na Baixada Santista serão cinco vezes maior após a desestatização da Sabesp promovida pelo Governo de São Paulo. Serão R$ 8,1 bilhões em investimentos de 2026 até 2029 (média de R$ 2 bilhões por ano) para resolver desafios estruturais no abastecimento de água e esgoto. Além disso, R$ 2,43 bilhões já foram aplicados entre 2024 e 2025. Antes da desestatização, a média anual de investimentos foi de R$ 400 milhões por ano entre 2017 e 2024.

Leia mais »